Triagem auditiva neonatal

A triagem auditiva neonatal é de suma importância para avaliar a capacidade auditiva do recém-nascido e, em casos de perdas auditivas,  permitir a aquisição da melhor linguagem verbal possível. As perdas auditivas podem passar desapercebidas pelos pais nos primeiros meses de vida, mas é justamente este o período mais importante para a aquisição de linguagem. Com a detecção da deficiência auditiva após o segundo ano de vida, a criança provavelmente terá dificuldades não só para se comunicar, mas também de inter-relacionamentos, já que vive num mundo de ouvintes.
 

A triagem auditiva neonatal universal é preconizada pelas academias americanas de pediatria e otorrinolaringologia desde 1994 e passou a ser obrigatória em todos os hospitais e maternidades brasileiras em 2010. Deve ser realizada antes da alta da maternidade, como um passo complementar ao teste do pezinho.
 

O exame inical da triagem é a pesquisa de emissões otoacústicas, que através de um estímulo sonoro avalia se o ouvido é capaz de emitir uma resposta. Este exame denota que a orelha interna(cóclea) está funcionando. Pode ocorrer falha no exame se o bebê apresentar acúmulo de cera no ouvido ou se estiver com otite média serosa ou com efusão.

Quando o recém nascido falha ao exame ou apresenta um risco maior para deficiência auditiva (tabela 1), pode-se utilizar um segundo exame chamado potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE), mais conhecido como BERA. Este exame avalia se o nervo auditivo, responsável pela audição, encontra-se íntegro.

Tabela 1










































Caso se confirme a perda auditiva congênita, o acompanhamento em conjunto pelo pediatra, pelo otorrinolaringologista e pela fonoáudiologa é mandatório.

O tratamento é específico para cada tipo de perda  e pode envover o uso de aparelhos de amplificação sonora(aparelhos auditivos), de condução por vibração (BAHA), ou mesmo a cirurgia para implante coclear. Os aparelhos auditivos e o BAHA funcionam como amplificadores do som que chega à orelha, mas dependem do bom estado da orelha interna(cóclea) e nervo auditivo. Já o implante coclear, converte a onda sonora em um estímulo sonoro que passa diretamente para o nervo auditivo, pulando a cóclea. Em todos os passos é importante o acompanhamento por fonoáudiologa  especializada para treinamento e aprimoramento da comunicação.

Médico otorrino Dr Bruno Barros otorrinolaringologia São Paulo otorrinolaringologista