Cirurgia endoscópica nasal

O otorrinolaringologista irá prescrever muitos medicamentos (antibióticos, descongestionantes nasais, sprays esteróides, anti-histamínicos) e procedimentos (lavagem nasal) para o tratamento da sinusite aguda. Há ocasiões em que as infecções são recorrentes e / ou não-responsivas à medicação. Quando isto ocorre, a cirurgia para dilatar as aberturas (óstios) que drenam os seios da face ou FESS é uma opção.



A recomendação para a cirurgia dos seios da face no início do século 20 facilmente alarmaria o paciente. Nessa época, o cirurgião tinha que realizar um procedimento invasivo, entrando pela área da bochecha para atingir os seios da face, muitas vezes resultando em cicatrizes e possível desfiguração. Hoje, essas preocupações têm sido erradicadas com os últimos avanços da medicina. Um cirurgião treinado pode realizar a FESS com mínimo de desconforto, convalescença breve e poucas complicações.



A história clínica do paciente irá ser avaliada antes de qualquer cirurgia ser realizada. A propedêutica diagnóstica cuidadosa é necessária para identificar a causa da sinusite aguda ou crônica, que muitas vezes se  encontra na área etmoidal anterior, onde os seios maxilar e frontal se conectam com o nariz. Esta situação pode exigir uma tomografia computadorizada dos seios da face (TC) (sem contraste), exame de fisiologia nasal (rinomanometria e citologia nasal), teste de odor e exames de sangue para determinar uma estratégia operacional. Nota: raios-X de seios da face têm uma utilidade limitada no diagnóstico da sinusite aguda e não têm qualquer valor para a avaliação da sinusite crónica.

Opções cirúrgicas para os seios da face incluem:



A cirurgia endoscópica (FESS): Desenvolvido na década de 1950, o endoscópio nasal revolucionou a cirurgia para sinusite. No passado, a estratégia cirúrgica era remover toda a mucosa sinusal dos grandes seios. O uso de um endoscópio está ligado à teoria de que a melhor maneira de obter seios saudáveis e normais,  é ampliar as vias naturais de drenagem dos seios. Uma vez que um sistema de drenagem eficiente é alcançado, a mucosa do seio doente tem a oportunidade de voltar ao normal.



FESS envolve o uso do endoscópio, um tubo muito fino de fibra óptica, para visualizar diretamente dentro do nariz e obter um exame das aberturas dos seios paranasais. Com o uso de micro-instrumentos, os tecidos anormais e obstrutivos são em seguida removidos. Na maioria dos casos, o procedimento cirúrgico é realizado inteiramente através das narinas, sem deixar cicatrizes externas. Há pouco inchaço e apenas um leve desconforto.



A vantagem deste procedimento é que a operação se torna menos extensa, menos tecido normal é removido e  permitem a alta no mesmo dia. Após a operação, o paciente poderá, por vezes, ser submetido a tamponamento nasal. Atualmente, utiliza-se um gel hemostático que substitui a necessidade do tampão nasal. Irrigação nasal pode ser recomendada para evitar a formação de crostas até dez dias após o procedimento.



Cirurgia guiada por imagem(neuronavegador): Os seios estão fisicamente próximos ao cérebro, ao olho, e as artérias principais, sempre áreas de preocupação quando um tubo de fibra óptica é inserido na região dos seios. O crescente uso de uma nova tecnologia, a cirurgia guiada por imagem endoscópica(neuronavegador) visa aliviar essa preocupação. Este tipo de cirurgia pode ser recomendada para as formas graves de sinusite crônica, nos casos em que pontos anatômicos dos seios foram alterados por cirurgia anterior, ou onde a anatomia do seio de um paciente é muito incomum, tornando a cirurgia difícil.



Neuronavegação é um sistema de mapeamento quase tridimensional que combina a tomografia computadorizada (TC) e informações em tempo real sobre a posição exata dos instrumentos cirúrgicos através de sinais infravermelhos. Desta forma, os cirurgiões podem navegar seus instrumentos cirúrgicos através de complexas passagens nasais e proporcionar alívio cirúrgico de forma mais precisa. O neuronavegador usa alguns dos princípios utilizados pelas forças armadas dos Estados Unidos para guiar bombas ao seu alvo.



Técnica Caldwell-Luc: Outra opção é a operação Caldwell-Luc, que alivia a sinusite crónica, melhorando a drenagem do seio maxilar, uma das cavidades abaixo do olho. O seio maxilar é abordado através da maxila, com uma incisão acima do segundo molar de um dos lados. A "janela" é criada para conectar o seio maxilar, com o nariz, melhorando assim a drenagem. A operação recebeu o nome do médico americano George Caldwell e do laringologista francês Luc Henry, e é mais frequentemente realizada quando um tumor maligno está presente na cavidade sinusal.